Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Mais uma vez sobre a futilidade; ou Pelo direito de ser fútil!

Eu não sei se eu choro ou acho graça. Mandei hoje pros meus amigos do orkut convite pra participarem da comunidade super gracinha que o Khaus (Igor, amigo de Santa Catarina) fez pra apoiar minha candidatura ao BBB. Eu meio que estava ignorando o gesto do pobrezinho (ele q incentivou a inscrição, criou a comunidade em agosto!), pq eu sei que as chances de participar do programa são pequenas (mais de 320 mil candidatos inscritos, cerca de quê? 18 MIL candidatos por vaga? rs), mas hoje entrei e divulguei. Vai saber, né? Se é pra sair na chuva, não reclame da escova! risos

Recebi muitos recadinhos de apoio, sorrisinhos e promessas de "se depender de mim, já ganhou", muito fofo... Eu agradeço demaissssssss todo mundo, mas quero falar do outro tipo. Não da recusa total (que seeeeeeeeeempre aparece com ranço, principalmente de ex-colegas da Universidade) porque pouco me importa, mas da reação de surpresa de amigos queridos que em quase choque sempre soltam algo como "mas o programa é tão fútil!".

Decidi ir ao Houaiss consultar o sentido do vocábulo, ia transcrever, mas achei muito imbecil. Decidi ir buscar Oscar Wilde, que em trecho de um dos romances mais transgressores de todos os tempos disse: "Não há nada tão profundo quanto uma aparência". Puta que o pariu, ele era o cara. Tá certo que ele morreu preso e não teve reconhecimento enquanto estava vivo, mas era.

O fato é que não posso continuar a escrever... São 16:09, tenho horário com meu personal na academia às 16h30... Preciso ir. Reproduzo texto meu, longo, sim longo, postado há algum tempo (2006!), mas ainda extremamente atual.

Beijos fúteis, música boa e um bom resto de quarta (de quinta, de sexta... risos) pra vcs!


Antes de ir pro texto, trilha sonora aqui.


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O Luiz, amigo inteligentíssimo com quem eu brigo bastante, vive puxando a minha orelha por algumas coisas que eu digo, e por outras que eu publico aqui. Na percepção dele, eu gasto meu tempo e dinheiro, investindo emocionalmente em coisas que só trazem satisfação temporária: cirurgia plástica, conversas em bares, discussões em blogs, disputas com idiotas machistas/ preconceituosos/ etc., ... que acabo perdendo de vista as coisas que mais importam.

O fato é que ele sempre dá um jeito de fazer com que eu me sinta a pessoa mais fútil da face da terra, porque me preocupo sim com a cor do meu cabelo, os centímetros da minha cintura, e a imagem que construo de mim. Vaidade? Pois é. Apesar de pisciana, com tudo em áries, tenho garbo do signo de leão.
E quer saber? Sempre achei uma ignorância essa supremacia cartesiana da mente sobre o corpo, da essência sobre o acidente. Ah, qual é! A gente TAMBÉM é corpo e TAMBÉM é aparência.

"Eu gosto é do seu espírito". Eu não quero um homem que goste apenas do meu espírito! Deus que me livre!

Me lembrou um outro amigo meu. Muito muito gracinha, mas sempre apaixonado pelas paixões platônicas que inventa, exagera umas coisas que só ele. Outro dia numa madrugadas dessas no msn ele disse que gostaria muito que eu fosse velha e feia. Briguei com ele, óbvio!!! Onde já se viu!!! Ele achou que estava me fazendo um elogio dizendo que gostava da minha "essência" e que a minha aparência pra ele simplesmente não importava. Balela. Fiquei foi nervosa na hora.

Já disse a ele inúmeras vezes que somos amigos e que é isso que somos. Mas aproveitando a metáfora do cortejo dele, o amor romântico não funcionaria em nossa sociedade se não estivesse sacramentado na satanização do corpo e da sexualidade que fundamentou o comentário dele.

É esse tipo de raciocínio torto que continua fortalecendo - em inúmeros contextos - discursos sexistas que subjugam e vulgarizam a erotização do comportamento feminino. A diva, a musa, a mãe, a santa é sempre inalcançável e pura. Ela não tem corpo, é só espírito. Basta que você vá até a banca de revistas mais próxima. Na capa de qualquer revista, masculina ou feminina de grande circulação, você já encontrou alguma foto de qualquer mulher grávida sexual e erotizada?

Tá bem, tá bem... se tem alguém lendo esse texto ainda, deve estar se perguntando quantas eu bebi hoje! risos... Nenhuma. E, não, eu não fumei nada ilegal. Não tô doidona, não... risos... Só dividindo indignações, pensamentos, angústias.

Eu não quero um homem que goste apenas do meu espírito! Porque dele, para mim, não será só o espírito que contará também! Quero tesão, pele e falta de ar! Inquietação intelectual? Óbvio. Gentileza? Claro. Inteligência? Certamente. Mas corpo, não apenas mente! Como é que pode Descartes ser tão forte até no senso comum e ainda hoje depois de tantas rupturas epistemológicas??? Ergo cogito sum... uhum, BALELA!!!

Ah nem, faço questão da minha beleza e do gozo pleno do meu corpo e da minha sexualidade até o último dia de vida. E quero uma casa cheia de flores. Vou já já comprar gérberas, tulipas, margaridas, crisântemos e encher de energia boa todos os cantos da minha casa.... quando a gente arruma as coisas por fora, parece que organiza as coisas por dentro....


Ah qual é! É claro que é o "teto" que é importante, mas não sejamos hipócritas. Nosso bem estar dentro ou sob este "teto" passa pela cara que a gente dá pra ele... passa por aquela plantinha, aquela manta laranja que vc achou a sua cara e jogou em cima daquele sofá vermelho que a sua mãe acha horrível mas vc adora, passa por aquele edredon de listras, pelo travesseiro amarelo....

Se isso é futilidade ou vaidade? Nem me importo! Sou fútil mesmo! Sou vaidosa mesmo! E o problema é meu!

Ironias e exageros à parte, olha que genial essa subversão proposta pela personagem da Heloisa Perisée:



hahahahaha.... "muitos homens se aproximam de mim não porque eles estejam realmente interessados em mim, na minha pessoa.... eles querem....... O MEU CERÉBRO!!!!" hahahahaha... "e bush, e bush, e bush, e bush a puta que pariu...."... rolei de rir!!! "quem nunca pecou que me atire o primeiro volume dos lusíadas!!!" hahahaha... SIMPLESMENTE E IRONICAMENTE GENIAL. "Eu sou um corpo!!!" hahahahaha...

Mudando radicalmente de assunto, acordei ouvindo Dave Matthews hoje. Nossa, eu sou absolutamente apaixonada pelo Dave. AMO os CDs, todos e quase inteiros!

Às vezes canto as músicas tão alto que acho que escutam lá de baixo do prédio... risos... Grey Street, a canção do vídeo de hoje, tem uma harmonia musical e um espírito na letra que me move de um jeito! Posso ser fútil, fútil, absolutamente fútil, mas eu FAÇO QUESTÃO de ir a um show da Dave Matthews Band algum dia... Minha próxima viagem longa de férias (quando o doutorado permitir!) deve incluir o Canadá e vou considerar seriamente os locais da turnê. No Brasil, eles só vieram em 1998 e 2001, e eu não conhecia o trabalho deles ainda =((((

Olha o que foi a energia desse show que aparece no vídeo!!! Pelo amor de deus, não tem u2, não tem coldplay, não tem new order, não tem placebo que possa substituir as sensações que eu acho que eu teria num show desses!!!

Dave Matthews rocks! Florzinhas coloridas também!
E viva a cirurgia estética!



Terça-feira, Novembro 10, 2009

Sobre textos, vestidos e a necessidade das fogueiras

[Repostagem de uma leitura feita há vários meses, fica a dica. Como trilha, clássico da Katie Bush, aqui.]



"(...) Sim, porque as feiticeiras se encontram apenas entre as mulheres orgásticas e ambiciosas, isto é, aquelas que não tinham a sexualidade ainda normatizada e procuravam impor-se no domínio público, exclusivo dos homens. Assim, o Malleus Maleficarum, por ser a continuação popular do Gênesis, torna-se o testemunho mais importante do patriarcado e de como essa estrutura funciona concretamente NA REPRESSÃO DA MULHER E DO PRAZER. De doadora da vida, símbolo da fertilidade para as colheitas e animais, a situação se inverte: a mulher é a primeira e a mais pecadora, a origem de todas as ações nocivas ao homem, à natureza e aos animais. Durante três séculos, o Malleus foi a Bíblia dos inquisidores e esteve na banca de todos os julgamentos. Quando cessou a caça às bruxas, no século XVIII, houve grande transformação na condição feminina. A sexualidade se normatiza e as mulheres se tormam frígidas, pois ORGASMO ERA COISA DO DIABO E, PORTANTO, PASSÍVEL DE PUNIÇÃO. Reduzem-se ao âmbito doméstico, pois sua ambição também era passível de castigo. O saber feminino popular cai na clandestinidade, quando não é assimilado pelo próprio poder médico masculino já solidificado. As mulheres não tem mais acesso ao estudo, como na Idade Média, e passam a transmitir voluntariamente a seus filhos valores patriarcais já então totalmente introjetados por elas. É com a caça às bruxas que se NORMATIZA o comportamento de homens e mulheres europeus, tanto na área pública como no domínio do privado. E ASSIM SE PASSAM SÉCULOS." (Textos da Fogueira, p.73.)



Já ouvi a Rose Marie falando algumas vezes, já li muitos de seus artigos. Textos da Fogueira é seguramente um dos livros que mais influenciou na forma como percebo as relações de gênero hoje em dia. A análise que a Muraro faz do Martelo das Feiticeiras (sim, o Malleus Maleficarum, o sagrado livro da inquisição) é de arrepiar. Fica a dica de leitura.

Rose Marie Muraro, "bruxa" maior e fonte de inspiração, por uma ética do gozo que faça implodir o patriarcado e a opressão, com você eu grito, ABAIXO A TODAS AS FOGUEIRAS.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Daquilo que sinto



Devaneio. Suspiro. Cansaço. Espera. Recusa. Desejo. Arrepio. Espinha. Ereta. Mente. Inquieta. Vazio.

Vontade. Sede. Fome. Ânsia. Movimento. Biquinho. Desdém. Não quero. Devaneio. Suspiro. Cansaço. Espera. Recusa.

Desejo. Arrepio.
Inquieta.
Vazio.

Cadê?

E o dia estava tão frio....


que amanheceu.

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Sábado, Novembro 07, 2009

Por entre reprises e reflexões

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É isso. Pule no tal abismo quando seu coração bater tão forte que só te restará pular. Você só vai saber se fez a coisa certa, fazendo-a. Só se pode falar do que se conhece e não há como conhecer pela superfície, é preciso tocar verdadeiramente nas coisas e, então, se deixar ser tocado por elas. O importante é lembrar que a escolha é sempre nossa e que no momento em que tudo nos foge ao controle é porque chegamos na parte mais importante do aprendizado. Que o medo não tenha tanto poder sobre nós... há sempre uma oportunidade de surpresa, mas teremos que estar abertos a isso. Nada é tão definitivo. (Marla de Queiroz)



"... E quando falamos sim no momento, a afirmação é contagiosa. Se abre uma corrente de afirmações que não conhece limites. Dizer sim na hora certa é... dizer sim para toda a existência."








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É que às vezes a gente pede, mas não sabe receber. É que às vezes, sei lá por quê, aquilo que era uma benção, passa a carregar um peso de responsabilidade tão grande que desconforta de um jeito ruim. E o que era pra ser só agradecimento passa a ser uma coisa que nem sei direito qual o nome.

É que às vezes a gente é ingrato. E porque pediu a chuva e não acreditou que ela viesse, simplesmente não tinha se preparado pra ela. E segue buscando sempre a mesma antiga desculpa pra infelicidade de sempre, pro campo não arado, mas nem sabe fazer valer a oportunidade que teve.

É que às vezes a gente se acostuma com a dor. E prefere insistir no que é difícil, no que causa transtorno, no que não está pronto e pra gente. Talvez porque sempre se vicie nessa coisa problemática e ruim.

Nem sei por que comecei a pensar nisso hoje. Mas é que às vezes a gente recebe presentes e nem valoriza... assim. Porque não se julga merecedor, ou presente, de uma forma honesta que fosse.

Que o medo não tenha tanto poder sobre nós... No amor, no trabalho, na vida.

Que o medo não tenha... Amém.